terça-feira, 18 de outubro de 2011

FOTOCIDADE e Leituras do Urbano

Márcia
(Oficina Fotocidade e Leituras do Urbano com Fernanda Procópio 2011)


  Gosto muito do ângulo e das linha desta foto, muito bom mesmo.
Contudo fiquei impressionada principalmente com as peças de roupa da lixeira e o combertor embaixo do cartaz, que possivelmente foi deixado por alguém, então conclui que o máximo desta foto foi ter registrado esse ser invisível. Esse alguém que vive as margens da cidade e que por vezes se funde com a frieza dela. Lembrei dos personagens de Vidas Secas de Graciliano Ramos, escritor regionalista do Modernismo Brasileiro. Fabiano sua esposa , dois filhos e uma cachorra, eram retirantes da seca no Nordeste, viviam a perambular em busca de novas oportunidade de sobrevivencia. Mas os períodos de seca eram tão cruéis que suas próprias vidas se confundiam com o vazio que ela deixava ao varrer tudo que lhes restava, o verde da natureza, a água, os animais, as esperanças, as palavras e a humanidade. Eram invisíveis também, desumanizados pelas condições sub-humanas de sobrevivencia.


[…] O bicho não era um cão,

Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira- O bicho

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